Reflito, a partir do manhwa A Fortune-Telling Princess — que, aliás, recomendo muito —, sobre algo que atravessou a ficção e tocou a minha própria realidade.
Sempre que vejo personagens que retornam a um passado que conhecem, que sabem exatamente quem feriu, quem ignorou, quem falhou, penso:
“Ah… se fosse eu, eu faria diferente.”
E então me pego na armadilha da própria pergunta:
Eu faria?
Ou isso é só mais uma forma delicada de hipocrisia?
Porque, sejamos honestos:
quando estamos sufocados pela própria dor, raramente agimos como grandes protagonistas.
Agimos como sobreviventes.
“Thainá, como assim?”
Digo no sentido mais simples — e mais cruel.
Passei boa parte da infância tentando ser vista.
Buscando reconhecimento.
E, de alguma forma, continuo tentando até hoje, através da perfeição.
Não mais para os meus pais, mas para aquela criança interna
que ainda vive sob a cobrança de ser suficiente.
Uma criança que nunca foi realmente curada.
E, nessa luta silenciosa, percebo algo desconfortável:
eu não conseguiria simplesmente fechar os olhos para o passado — mesmo que distante —
ignorar o que senti, o que vivi,
e agir de forma plenamente amorosa com quem me ignorou por tanto tempo.
Com quem ignorou a minha dor.
Mas então a pergunta retorna, insistente:
vale a pena continuar vivendo nessa dor?
Será que devolver o mesmo gosto amargo que recebi me protege…
ou apenas me aprisiona?
Será que sou orgulhosa demais?
Ou apenas medrosa?
a ponto de fugir dos outros
ou, retrucar com a mesma hostilidade que eles me acometeram,
para o resto da vida?
Será certo ser amor
quando tudo o que me ofereceram foi dor?
Será que devo mudar, para que eles, enfim mudem?
Será que eu devo mudar mais uma vez para eles? Ou estarei fazendo um favor para mim?
''Poxa, Thainá… por que você sempre se expõe tanto?''
Não é se expor.
É olhar para a própria dor com honestidade,
na esperança de que, ao nomeá-la,
ela acorde vocês... E, felizmente, quem sabe,
me liberte também.
Thainá Domingues Benasse.



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