Nossa, como eu amava ter aquilo que acreditava ser meu por direito.
Mesmo quando odiava o que comia, bebia, fazia ou, até mesmo, respirava.
Mas me justificava:
"Se eu paguei, devo lamber até o pote."
Isso me faz refletir.
Quando a ideia de posse está tão imersa dentro de nós, suportamos até aquilo de que não gostamos, apenas para não abrir mão do que gastamos para manter ou conquistar.
Parece desperdício não saborear o que não é saboreável.
Encher os pulmões até inflá-los em agonia.
Ao amadurecer, percebi que prefiro o desperdício dessas coisas à perda de mim mesma.
Talvez devêssemos reconsiderar abandonar aquilo que não nos agrada simplesmente porque não nos agrada.
Não porque tenha valor.
Ou porque um dia teve.
Thainá Dominguês Benasse



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