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domingo, 18 de maio de 2025

Ninguém

Ninguém.

Ninguém dava nada por mim — nem eu mesma.

"Essa menina é burra."
"Não vai longe."
"Má influência."
"Preguiçosa."
"Metida."

Eu sorria, mesmo diante das ofensas. Evitava o conflito, adocicava o ambiente, relevava demais.



Houve um momento, já mais velha, em que passei a desacreditar de tudo.

Desacreditei da vida, da sorte, de Deus... até da existência da minha própria respiração, que se prendia no peito.

Afogava-me na bebida, em saídas sem sentido… tudo fuga.

Correndo.
Seguindo.
Rastejando.

Na esperança de ser encontrada...

E não percebia que, no fundo, o que eu queria era me encontrar — encontrar a mim mesma, a criança que um dia foi julgada e que ainda vivia dentro de mim.

Hoje, ela se prova forte.
Dona dos próprios sonhos.
Realizadora da sua própria eternidade.



Pelo menos, da eternidade do seu bem-estar.

Já percorri metade do caminho. Falta o resto — mas sigo.
Sigo seguindo.

Thainá Dominguês Benasse

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Pisoteando de Botas


PISOTEANDO DE BOTAS

‘’ Não, não era para ser. ’’ – se indagava ao ver a casa toda bagunçada, e junto delas centenas de insetos repugnantes.

- Eu não acredito que você faz questão de ser comido antes pelos insetos. – bradou com aquele homem deitado ao chão, e com um monte de garrafas vazias ao seu redor.

- V-vo-cê acredita que ontem... – repensou o que ia falar. – Não, assim, posso dizer que bebi, mas eu estou são.

- Certo... Certo. – sua paciência estava se esgotando, coloco seus dois dedos em suas têmporas, e começou a falar baixinho, pois como era apartamento todos poderiam ouvir seus gritos e o quão queria mata-lo. – Deixa eu te contar uma coisa... Você, filho, não mora sozinho. – aos poucos sua voz iria se alterando. – Quantas vezes eu te falei para parar de ser mimado, e cuidar do apartamento que dividimos? – ao caminhar mais para frente, suas botas enroscaram nas sacolas incontáveis no chão.

‘’ Como eu vim parar nesse apartamento?’’ – ao se questionar sobre, começou a divagar injuriada por tudo que passou. As consequências de seus atos inocentes, a fez estagnar naquele muquifo. Era necessário dizer, deveria dizer. Concentrou-se novamente naquele esfarrapado.

- Você é um inseto, então viva como um.  – sem remorso, ficou o pisando com sua bota de couro, da qual, sempre a dava forças para enfrentar as circunstancias da vida; Avisará que a paciência dela é curta, não igual suas ações.

A história de sua vida sempre foi tomada pela fúria, tratada como algo que precisava cutucar,pular, ignorar, cansou de ser boazinha, se a vida a pisou, ela pisará em dobro. Suas botas equivalem sua trajetória. Sua mãe as lhe deu com mesmo intuído.

‘’- Enfrente a vida, minha querida filha, não tenha medo de lutar pelo que você tem de direito, essas botas que muitas vezes caminhou sobre o martírio, agora devem caminhar com você para fazer valer a pena tudo que passei por você; Saiba aproveitar o doce, mesmo vivenciando o amargo. ’’


Assim sendo, PISOU, PISA, PISARÁ no que precisar.

*

- PARA SUA LOUCA! – gritava o homem bebum.  

Em um movimento rápido, depois de o deixar vermelho, marcado pelas botas, ela agachou, e ficou no mesmo nível dele, baixo, o fixando nos olhos, abriu a boca para sugerir algo, todavia, fechou os olhos, levantou, pegou as coisas daquele salafrário e jogou para fora.


- SAIA! AGORA! – bateu suas botas no chão. – Eu sou autoridade. Eu achei o maldito apartamento, e você se apossou e não ajuda em nada. Agora, SAIA! 

Como cachorro sem dono, saiu com o rabinho entre as pernas, a procura de algum alojamento que o aceite. Fechou as portas, começou a limpar o seu canto.

- É... A vida é assim, se não pisarmos, seremos pisados. – finalizou sua querida reflexão, em meio ao chão desgostoso.

Artistas :



Thainá Dominguês Benasse




quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Rastejar?



RASTEJAR?

Como se eu estivesse afogando, tento respirar através de cada arfada de um choro.
Às vezes a vida não nos das tréguas, assim tento respirar.
A cada soluçar é o acumulo de tantas vezes que sorri, e empenhei-me em lutar.

Porque será que arfar não para? Meio peito arde e doí...
Todavia, essa caminhada não me dá trégua. Pergunto-me o que fiz.

Procurei diversas vezes não ser vitima dela, aqui estou novamente, arrastada pelas torrentes imaginarias e injustas.
O pouco sempre me sustentou, vasculhei nele para me manter, porém, mesmo assim, o muito é sempre exigido até para se ter o pouco.

Sabia voar em minha mente, aprendi direitinho, Quiçá, na realidade o diferente acontece, constantemente, então tentei caminhar, e as rasteiras continuaram a vir... 

Agora me questiono...


Eu sei rastejar?


- Thainá Dominguês Benasse

terça-feira, 5 de novembro de 2019

E essas Águas?



E essas Águas?
 


Ah mundo... Você virou de ponta cabeça. Sinto um conforto na memória, ou é porque você está tão distorcido que parece que o antigo é melhor?

Não irei me enganar, seu sem noção!
Observo o engarrafamento das aguas nos cantos da calçada...  Vejo que elas estão tentando o seu melhor para quebra-las em si mesma.
Empurrando... Empurrando. 

‘’Deixe-me passar, não me largue, mas também não me aprisione. ’’

 É triste de se ver, porém para quem é de fora é admirável e bonito. 
(até aconchegante).


As gotas... Continuas, enquanto uma melodia clara como a luz artificial que clareia o que não deveria.
Devo estar assim?

Tenho conforto das águas, de várias delas, mais porque ainda empurro?
Quero evaporar e tornar-me chuva, para precipitar em outros lugares. 

Todavia, as amarras do chão me prendem. Mesmo que evapore, talvez caia no mesmo mundo, ou lugar.

Bagunçado e acolhedor.

Thainá Dominguês Benasse
 

 Feito: 25 de setembro 2019

quarta-feira, 24 de julho de 2019

No Fim Não Havia um Fim



Não havia poço naquele fim; Havia vários.

Não havia sintonia naquela ventania, até porque seus murmúrios( gritos sutis?) não iriam ser ouvidos junto aos assobios frigidos de imediato;
Um eco era dado que estremecia sua alma desconcertante;

‘’ Devo pedir perdão pelo que faço? Eu estou cuspindo no prato que comi? Tenho que aceitar tudo que me falam, dado que não tenho o meu prato e nem minha comida? ’;

Disponha- o que dizem;

‘’ Devo argumentar ou me calar? É errado fugir? É errado abandonar quando se é abandonado?’’

Não a de que.


O frio subia-se nas pernas alvas, seu coração já fora de muitas estações, mas se encontrava cansado; apesar de que o outro órgão se encontrava acelerado; O bombardeio não doía mais, não mais frio, mas também não tão quente.

‘’ As veias que me compõe, o sangue da minha descendência deve manter a compostura com quem vim deles? Com quem me fez deles?’’

Obrigada. Você ouviu? Obrigada.

‘’ Deveria mentir? Ou deveria me mostrar?’’
Huldra by STelari

- Uma vez eu li, que a vida se vivi uma vez, e perante a isso, as pessoas se matam para fazer de suas palavras e atitudes validas, por isso existe milhares de religiões e cada um procura aquilo que se sentem bem, ou procuram se achar, todavia acabam se perdendo em suas próprias mentiras e próprios feitos. Assim sendo, eu não quero ser uma delas. Nunca fui de repetir atitudes para concretizar o que os outros queriam que eu me tornasse... Posso ser construída pelas experiências que foram me dada, quiçá posso te confirmar uma coisa:

VALEU DE MINHA ALMA ACEITAR ALGUMAS E RECUSAR OUTRAS; SE FAMILIA, AMIGOS, E OUTROS FEZ DE MIM UMA PESSOA MELHOR OU PIOR É PORQUE COUBE A MIM E MAIS NINGUEM. SANGUE É UMA PALAVRA QUE DÃO MUITO IMPORTANCIA; E EU SUCINTO QUE SÓ A DOU A RAZÃO NA MEDICINA.
SEM MAIS PALAVRAS EM NEGRITO. PARA AMBOS OS LADOS. – ambíguo.
E não fora tão longe a mais. Suas palavras de desabafo descaíram no poço. Artificial é claro. Pois, seu fundo está na sua alma, e ela vem e vai, nunca fica, porque fora tantas vezes que decorou sua volta. Voltara um dia, a vida é assim.

- A luz que me ilumina é a mesma que me afligi, por isso, prepare-se. Não terei mais medo.


- Thainá Dominguês Benasse
Arte: 
>STELARI