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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Recomendação : The Villainess Lives Twice - Manhwa


Motivos para ler essa obra fantástica:

Sabe aquele gosto amargo que fica na boca… mas que, no fundo, quando passa, se transforma em algo doce?
Essa foi exatamente a sensação que essa obra me deixou.

É um manhwa extremamente fiel à realidade — e justamente por isso, pesado logo no início.



Sinceramente, comecei a ler há anos e só agora voltei para terminar. Em parte, porque me perdi no meio de tanta inteligência que a autora colocou na narrativa. Não entendo profundamente de política ou estratégia, mas ainda assim consegui absorver algo essencial que a história transmite — um ensinamento que muitas vezes esquecemos, ou até evitamos encarar: o melhoramento.

Aquela ideia de:
“Já que fiz errado, então que continue assim…”
Não. A obra nos convida a voltar atrás.


Muitos colocam a culpa no orgulho. Eu vejo mais como medo.
Medo da rejeição.
Medo de amar.
Medo de se perder — e de perder.
Medo do desconhecido.
E, principalmente, medo da realidade que insiste em nos engolir.

A história trabalha essas emoções em camadas profundas. Situações que já vivemos, padrões que repetimos, sentimentos que fingimos não ver.

Outro ponto que me marcou muito foi a arte: traços delicados, ao mesmo tempo vivos e mórbidos, acompanhando perfeitamente o sofrimento e os raros momentos de alegria.


Os personagens são intensos.

A protagonista carrega uma necessidade desesperada de ser amada — algo tão profundo que a leva a cometer atos cruéis, tudo na tentativa de preencher um vazio dentro de si. Ela nunca soube o que era amor de verdade. Um simples gesto mínimo de atenção já era suficiente para fazê-la acreditar que finalmente era reconhecida.



Já o protagonista… nunca conheceu acolhimento. E acabou se apaixonando por alguém que também não entendia o amor. Ele é doce, e respeitador. Percebo muito, que ele a respeita muito... Ao ponto de ser bem passivo no começo da obra, só no final esse disse uma frase que me pegou muito:

'' IREI TOMAR E AGIR PELO UMA VEZ POR DECISÃO MINHA''

Percebemos que ele nunca viveu , de fato por si...  E isso, é triste.



O irmão dela é outro ponto forte da trama: cruel, arrogante desde pequeno. Sabia que poderia ter o mundo — e quando finalmente teve, destruiu tudo. Até mesmo a mulher que acreditava nele, que via potencial de mudança, acabou sendo arruinada por ele.



Mesmo após a protagonista voltar no tempo e não matá-lo, anos depois, quando todos recuperam as memórias da outra vida… nada muda.
Ele escolhe, mais uma vez, destruir.
E quando falo destruir, é no sentido mais profundo: tomar a vida de alguém para si, até o fim.



Um dos momentos mais dolorosos, para mim, foi quando a protagonista, já com uma filha, escolhe se afastar. Não por falta de amor — mas por acreditar que não merece amar.
Ela se convence de que a filha está melhor sem ela… quando, na verdade, é apenas uma forma de fugir do vínculo.



E, para fechar um ciclo marcado por dor, ela confronta a mãe — aquela que sempre a rejeitou.
Mesmo sendo vista como uma “bruxa”, ela decide:
se é assim que será vista, então será — mas será feliz.

Porque, na vida passada, ela pecou.
E agora, escolhe viver.




Essa obra tem muitas camadas. Muitas mesmo. Não dá para falar tudo sem entrar em spoilers.

Mas, no fim, ela nos faz refletir sobre algo muito real:
o ambiente em que crescemos, as relações que mantemos… tudo isso molda os padrões que repetimos.

E só existe uma forma de quebrar isso:
querendo mudar. E, AGINDO.



THAINÁ DOMINGUÊS BENASSE





SINOPSE:

Sinopse de The Villainess Lives Twice:

A história acompanha Artezia Rosan, uma mulher conhecida como vilã — alguém que manipulou, mentiu e destruiu vidas para colocar o próprio irmão no trono.

Mas, no fim… tudo dá errado.

Traída, descartada e reduzida a nada, ela percebe que todas as escolhas que fez não trouxeram amor, reconhecimento ou pertencimento — apenas vazio.

À beira da morte, Artezia recebe uma segunda chance: voltar no tempo.

Dessa vez, ela decide mudar o curso da própria história.

Em vez de ajudar o irmão a se tornar imperador, ela escolhe apoiar Cedric — um homem íntegro, que representa tudo o que seu passado não foi.

Mas essa nova jornada não é sobre se tornar “boa”.

É sobre algo muito mais complexo:
corrigir erros, enfrentar as próprias sombras… e tentar construir algo diferente sem saber, de verdade, o que é amar ou ser amada.

Entre jogos políticos, estratégias e manipulações, Artezia caminha em uma linha tênue entre redenção e repetição — tentando provar, talvez mais para si mesma do que para o mundo, que ainda pode ser mais do que aquilo que foi.



domingo, 25 de janeiro de 2026

SE FOSSE EU, EU FARIA DIFERENTE? Ou, eu só quero que seja diferente?

 Reflito, a partir do manhwa A Fortune-Telling Princess — que, aliás, recomendo muito —, sobre algo que atravessou a ficção e tocou a minha própria realidade.

Sempre que vejo personagens que retornam a um passado que conhecem, que sabem exatamente quem feriu, quem ignorou, quem falhou, penso:
“Ah… se fosse eu, eu faria diferente.”



E então me pego na armadilha da própria pergunta:
Eu faria?
Ou isso é só mais uma forma delicada de hipocrisia?

Porque, sejamos honestos:
quando estamos sufocados pela própria dor, raramente agimos como grandes protagonistas.
Agimos como sobreviventes.

“Thainá, como assim?”

Digo no sentido mais simples — e mais cruel.
Passei boa parte da infância tentando ser vista.
Buscando reconhecimento.
E, de alguma forma, continuo tentando até hoje, através da perfeição.


Não mais para os meus pais, mas para aquela criança interna

que ainda vive sob a cobrança de ser suficiente.
Uma criança que nunca foi realmente curada.

E, nessa luta silenciosa, percebo algo desconfortável:
eu não conseguiria simplesmente fechar os olhos para o passado — mesmo que distante —
ignorar o que senti, o que vivi,
e agir de forma plenamente amorosa com quem me ignorou por tanto tempo.
Com quem ignorou a minha dor.

Mas então a pergunta retorna, insistente:
vale a pena continuar vivendo nessa dor?

Será que devolver o mesmo gosto amargo que recebi me protege…
ou apenas me aprisiona?

Será que sou orgulhosa demais?
Ou apenas medrosa?
a ponto de fugir dos outros
ou, retrucar com a mesma hostilidade que eles me acometeram,
para o resto da vida?



Será certo ser amor
quando tudo o que me ofereceram foi dor?

Será que devo mudar, para que eles, enfim mudem?
Será que eu devo mudar mais uma vez para eles? Ou estarei fazendo um favor para mim?

''Poxa, Thainá… por que você sempre se expõe tanto?''

Não é se expor.
É olhar para a própria dor com honestidade,
na esperança de que, ao nomeá-la,
ela acorde vocês... E, felizmente, quem sabe,
me liberte também.

Thainá Domingues Benasse.






quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Natal? Corta essa --'

Vejamos que, com o passar do tempo, aprendemos a guardar a pouca energia que já não nos resta.

Não digo evitar discussões, porque quem está realmente esgotado manda logo um “vai se fuder”. Eu diria: evitar o encontro, o mesmo ambiente, o mesmo ar — a mesma presença.



Talvez seja sobre idade, ou maturidade, mas cheguei à conclusão de que não irei mais viver a vida dos outros. Refiro-me a caber na realidade que o outro quer impor.


Um exemplo prático e realista da minha vida:



“Meu pai vai passar o Natal com os amigos. Ele faz aniversário dia 24. Eu não os suporto. Porém, para agradar meu pai — que não quer pagar um restaurante ou uma ceia comigo e com minha irmã, uma escolha obviamente dele, já que é mão fechada — terei que aturar insultos sobre o jeito que levo minha vida, insinuações sobre meu posicionamento político e social, meus hobbies, e ainda, por cima, suportar olhares desejosos e repugnantes de velhos ou de caras extremamente nojentos, em qualquer sentido da palavra.”

Quer outro exemplo?


“Família da mamis, na qual não se pode falar de religião, ciência, nem colocar as músicas que gosta; suportar insultos como ‘biscate’ e ainda ver a violência verbal ser diminuída sob o rótulo de ‘mero ato de carinho familiar’.”

Ou seja, nunca posso ser eu. E, quando abro a boca para me impor, sou a pior da minha família.

Não. Não acredito que o Natal se trate de família, tampouco de Cristo, mas sim de perpetuar ciclos infinitos de dor, em nome do contentamento de…

Ninguém.


Thainá Domingues Benasse