Motivos para ler essa obra fantástica:
Sabe aquele gosto amargo que fica na boca… mas que, no fundo, quando passa, se transforma em algo doce?
Essa foi exatamente a sensação que essa obra me deixou.
É um manhwa extremamente fiel à realidade — e justamente por isso, pesado logo no início.
Sinceramente, comecei a ler há anos e só agora voltei para terminar. Em parte, porque me perdi no meio de tanta inteligência que a autora colocou na narrativa. Não entendo profundamente de política ou estratégia, mas ainda assim consegui absorver algo essencial que a história transmite — um ensinamento que muitas vezes esquecemos, ou até evitamos encarar: o melhoramento.
Aquela ideia de:
“Já que fiz errado, então que continue assim…”
Não. A obra nos convida a voltar atrás.
Muitos colocam a culpa no orgulho. Eu vejo mais como medo.
Medo da rejeição.
Medo de amar.
Medo de se perder — e de perder.
Medo do desconhecido.
E, principalmente, medo da realidade que insiste em nos engolir.
A história trabalha essas emoções em camadas profundas. Situações que já vivemos, padrões que repetimos, sentimentos que fingimos não ver.
Outro ponto que me marcou muito foi a arte: traços delicados, ao mesmo tempo vivos e mórbidos, acompanhando perfeitamente o sofrimento e os raros momentos de alegria.
Os personagens são intensos.
A protagonista carrega uma necessidade desesperada de ser amada — algo tão profundo que a leva a cometer atos cruéis, tudo na tentativa de preencher um vazio dentro de si. Ela nunca soube o que era amor de verdade. Um simples gesto mínimo de atenção já era suficiente para fazê-la acreditar que finalmente era reconhecida.
Já o protagonista… nunca conheceu acolhimento. E acabou se apaixonando por alguém que também não entendia o amor. Ele é doce, e respeitador. Percebo muito, que ele a respeita muito... Ao ponto de ser bem passivo no começo da obra, só no final esse disse uma frase que me pegou muito:
'' IREI TOMAR E AGIR PELO UMA VEZ POR DECISÃO MINHA''
Percebemos que ele nunca viveu , de fato por si... E isso, é triste.
O irmão dela é outro ponto forte da trama: cruel, arrogante desde pequeno. Sabia que poderia ter o mundo — e quando finalmente teve, destruiu tudo. Até mesmo a mulher que acreditava nele, que via potencial de mudança, acabou sendo arruinada por ele.
Mesmo após a protagonista voltar no tempo e não matá-lo, anos depois, quando todos recuperam as memórias da outra vida… nada muda.
Ele escolhe, mais uma vez, destruir.
E quando falo destruir, é no sentido mais profundo: tomar a vida de alguém para si, até o fim.
Um dos momentos mais dolorosos, para mim, foi quando a protagonista, já com uma filha, escolhe se afastar. Não por falta de amor — mas por acreditar que não merece amar.
Ela se convence de que a filha está melhor sem ela… quando, na verdade, é apenas uma forma de fugir do vínculo.
E, para fechar um ciclo marcado por dor, ela confronta a mãe — aquela que sempre a rejeitou.
Mesmo sendo vista como uma “bruxa”, ela decide:
se é assim que será vista, então será — mas será feliz.
Porque, na vida passada, ela pecou.
E agora, escolhe viver.
Essa obra tem muitas camadas. Muitas mesmo. Não dá para falar tudo sem entrar em spoilers.
Mas, no fim, ela nos faz refletir sobre algo muito real:
o ambiente em que crescemos, as relações que mantemos… tudo isso molda os padrões que repetimos.
E só existe uma forma de quebrar isso:
querendo mudar. E, AGINDO.
THAINÁ DOMINGUÊS BENASSE
SINOPSE:
Sinopse de The Villainess Lives Twice:
A história acompanha Artezia Rosan, uma mulher conhecida como vilã — alguém que manipulou, mentiu e destruiu vidas para colocar o próprio irmão no trono.
Mas, no fim… tudo dá errado.
Traída, descartada e reduzida a nada, ela percebe que todas as escolhas que fez não trouxeram amor, reconhecimento ou pertencimento — apenas vazio.
À beira da morte, Artezia recebe uma segunda chance: voltar no tempo.
Dessa vez, ela decide mudar o curso da própria história.
Em vez de ajudar o irmão a se tornar imperador, ela escolhe apoiar Cedric — um homem íntegro, que representa tudo o que seu passado não foi.
Mas essa nova jornada não é sobre se tornar “boa”.
É sobre algo muito mais complexo:
corrigir erros, enfrentar as próprias sombras… e tentar construir algo diferente sem saber, de verdade, o que é amar ou ser amada.
Entre jogos políticos, estratégias e manipulações, Artezia caminha em uma linha tênue entre redenção e repetição — tentando provar, talvez mais para si mesma do que para o mundo, que ainda pode ser mais do que aquilo que foi.











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